Cássia Da Rovare - Eu por mim - Ainda que não tenha encontrado tudo que procuro, não desisto, penso no que tive e tenho, e se ainda não basta, sigo minha caminhada, tentando. Se eu soubesse todas as coisas, ainda assim, não saberia nada, estarei sempre atenta, aos toques mágicos da vida, estarei de olhos , ouvidos, e coração bem abertos, não quero que minha vida passe como um rio. Quero minhas pegadas nas estradas por onde passar, quero minhas marcas deixar, meu cheiro, meu sorriso, minhas dores e lágrimas marcadas, como alguém que viveu encantada.

Deixarei filhos, netos, arvores e livros, musicas e poesias, como quem soube fazer da vida um grande baile, um picnic na sombra da mata densa, povoada por pássaros coloridos, cantos melodiosos, amores escondidos. Quero sair do obvio, me fazer dona e escrava de mim, quero as fantasias, das noites enluaradas, a onda do mar, a revolta das águas. Quero voar feito águia, planar em todos os céus, passear numa estrela iluminada, sentar-me nas luas, sejam elas, cheias, novas, crescentes ou minguantes, serão sempre minhas. Quero deitar-me na rede, e pensar na minha sede, de água de poço beber, quero ser alguém que é, não que está, que viva seus dias todos para o amor e para amar.

Não quero ser hipócrita, quero ser apenas a Cássia, aquela que anda contra o vento e contra o tempo, que se permite e respeita, que perde vez em quando o bom senso, os limites. Não estou aqui a convite, nem de passagem, sou vida que flui, feito cachoeira, escorregando em cascatas, explodindo , submergindo das profundezas, onde estava presa. Quero acácias nos jardins, baton de puro carmim, quero meu Peter Pan, minha terra do nunca, meu horizonte. O beijo na testa, a festa o anel, andar de braços abertos num carrossel gigante, descalça, desnuda, amante. Sou intensa em tudo que faço, afinal é meu o espaço que busco, nos dias, nas noites, na chuva, no temporal, quero deixar o que fui, o que sou e serei, marcado a ferro em brasa.

24 horas sem mim.

Eu prometo não
Pela noite não vou chorar
Talvez, quem sabe pela tarde
Eu chore.
Tão incerto, mais um minuto
Dois ou cinco, não sei
Porque relógio, se o tempo
É temporal, ou quem sabe
Visceral.
Eu prometo sim
Pela manha sim, quem sabe
Eu sorria.
Vinte quatro horas
É muito, e por pouco
Caiu o ponteiro menor.
Será isso, atemporal
Ou eu, que estou muito
Anormal?
Hei, tem alguem aí?
Não, acho que sim
Ou morreram
Os poetas em mim?

Cassia Da Rovare



Abster-me da Razão.


Ainda não me abstenho
Das loucuras e venturas
Sinto-me enamorada pela vida
Vivendo loucos instantes
Momentos de doçura
Que limpam minha alma
Dos arrependimentos
De tudo que deixei de fazer.
Quero o grito louco
De insanidade sufocado
Pela voz ardilosa
Da razão tão ditosa.
Não, não quero me abster
Da loucura que há em meu ser
As vivo e viverei
Na mesma dimensão
Da doçura que há
Em meu coração.
Deixar louca fluir
A poesia que há em mim
Louca sempre louca.

Cassia Da Rovare



Simbiose perfeita.


Simbiose perfeita
Nosso peito e amor
Colisão de astros
Antes dispersos
No vasto céu.
Encontro de ilusões
Estradas com riscos
Planícies e vales
Curvas tantas.
Simbiose perfeita
A lingua e o beijo
O corpo e a cama
Colisão de mãos em apelos.
Tilintar de sons
Águas fluentes, nascentes
Vertigem e desejos
Quase armagedon.
Simbiose perfeita
Carícias, delícias
Tenacidade e malícia
Aflorando sentidos
Táteis, com gosto de paixão.
Ah! nossas mãos.

Cassia Da Rovare



Âmago.

Tateio vazio de vento
Dor e dor, doendo dentro.
Volúpia de vendaval
Saio e volto
Nenhum sinal.
Rompo em lágrimas
Águas doces escorrendo ácidas
Cala-me coração desmanchado
A dor é de morte
Quem apregoou que era sorte?
Ressurreição de solidão
Era apenas febril imaginação
O estômago dói, âmago
Repouso marcado da alma
Desfalece a carne, apodrece.
Onde flui minha ternura
Abandono de pânico
Fecha o teatro
Desco o pano.

Cassia Da Rovare



Amar Livremente

Vem, vem pra dentro de mim
Guarda-me em teu olhar
Vem, vem sem medo
De ter que ficar.
Vem, vem com carinho
Nos meus braços se aninhar
Vem, vem sem pressa
Em meu corpo se deitar.
Vai, vai quando quiser
Sem olhar pra tras
Vai, vai com jeitinho
De quem logo, irá voltar.
Vai, vai e leva
A chave da porta
Estarei aqui, caso você volte.
Vem, vem quando puder
Vai, vai quando quiser
Você é livre pra chegar
E continuará livre, para partir.

Cassia Da Rovare



"ASPIRO"

vOU,
AGORA SUAVE
iNTEIRA
DENTRO , FORA
DESEJO, ASCENDÊNCIA
ENTRE A MINHA E A TUA
eSSÊNCIA
tODO DIA,
TRANSPARÊNCIA.

CASSIA DA ROVARE



Bijuteria Barata.

Ando de um lado pro outro
Procurando nos contos
Meu destino.
Solidão um desatino
Grito ouvindo meu próprio eco
Nas paredes emboloradas
Da malfadada memória.
Já não vejo teus olhos
Refletindo os meus
Espelhos do tempo
Apagado e presente.
Embuti tudo e nada um vácuo
Dentro de uma caixinha de jóias
E percebo era tudo patifaria
Biju teria barata?
Comprada a preço de ouro
Bate o martelo no leilão
Meu coração.

Cassia Da Rovare



Boca

Um soco
na boca do estomago.
Ou apenas
um beijo na boca.
Senti o frio chão
Olhando para o céu
Distãncia única
Entre você e eu.

Cassia Da Rovare



Brisa.

Brisa de amanhecer
Seu sorriso me leva
É noite, meu amor
Já penso no entardecer
Da minha vida sem você.
É noite eu aqui
Pensamento em você
Brisa de aurora boreal
Sonho de amor matinal.
É noite aqui meu amor
Tento dormir, sei não posso
Luzes penetrando espaço
Teu olhar sinto sobre mim
Não quero pensar em sair
Não, agora não
Brisa de campo e mato
Boca de despertar
Desejo e encanto
Tempo longo, ingrato.
É noite aqui meu amor
Vem pros meus braços
Brisa de hálito
Deste teu cheiro em mim
Vem, quero contigo dormir
Pra comigo amanhecer
Outra vez, sózinha.

Cassia Da Rovare



Caminhos.

Por ruas perdidas
Caminho dobrando esquinas
Que a muito não via.
Passos lentos passeio
Vendo as prisões
Casas blindadas, municiadas.
Percorro trajeto incerto
Pedras na calçada
E ninguém olha pro nada.
Pessoas obtusas, confusas
Olhos cinzentos, asfalto
E a vida passa.
O tempo vai apressado
Quantos os passos que escuto
Onde estão as flores
Dos caminhos passados?
Por onde anda o bom dia
Tardes de sol, noites na calçada?
Faço a volta pra casa
Por outros caminhos
E o que vejo, não mudou nada.

Cassia Da Rovare



Casa Vazia.

Olhei perdida hoje, esses cômodos vazios, frios e vi apenas solidão.
Olhei sentida, as parede,s os cristais, os quadros tudo tão imóvel,
tudo tão sombrio, que senti em minha espinha, um arrepio desta imensidão
onde me esvazio e me sinto tão só.
Olhei nesta viagem de pensamentos, notei aquela luz já apagada dizendo pra mim: “assim é tua estrada”.
Olhei a chuva lá fora, caindo como lagrimas minhas tão densas, tão intensas.
Me peguei relendo minha vida, revendo velhas fotos, de tempos onde minha alma acreditava, sonhava, voava. Onde nada desmoronava, onde eu apenas amava. Olhei pra dentro da minha casa e tudo ali me expulsava.
Num lamento, voltei pra dentro, a chuva caia e eu chorava, mas ainda assim eu respirava, clamava que alguém me ouvisse, me visse.
Fui então pra minha cama, e ela estava mais fria, do que a chuva, que lá fora, caia.

Cassia Da Rovare



Claridade ou seria Clara Idade?


Intento alvo de luz
Viajo entre cortinas da janela
Viro esquinas do meu quarto
Nem sei mais de mim.
Sei que sou metamorfose
Cada dia uma dose de nada
Estrada que sigo, sou tudo!
Porta fechada, solidão acompanhada.
Espelho translúcido olho-me
E nada vejo.
Límpida claridade ou seria
Clara idade.
Crisálida desejo a borboleta ser.
Sou cometa, vértice,
Na estante da sala.
Transmuto-me daqui
E verto-me em gozo cósmico
Facho lunar estrela estelar
Caindo na cama como fada
A sonhar, e sonho.

Cassia Da Rovare



Colhendo Vento.

Estou me encolhendo
Se o que colho é vento.
Eu nada escolhi
Pelo descompromisso de mim
E talvez quem escolheu,
VOCÊ.

Cassia Da Rovare



Conversa e Nunca Mais.


Uma conversa afiada
Um tanto desafinada
Entre dentes
estridentes palavras.

Olhos nos olhos
Dos dois lágrimas
Só não coube despedida
Porque era hora da partida.

O carro não pegou
Faltava combustível
Acabou o amor.

Tanque de guerra
Fez-se atmosféra
Anuncio de paz
E nunca mais jamais.

Cassia Da Rovare



Cortina de fumaça.

Cortina balançando
Ao sopro manso dos ventos
Roupas sobre a cama
O presente guardado.
Banho tomado,
Cabelos molhados
Perfume no pescoço
Pele transpirando
Espera e desejos.
Horas passando
Ventos cessando
Cabelos secando
Pele esfriando
Angustia e solidão.
Presente não desembrulhado
A única cortina que ficou
Foi a da fumaça
Do cigarro que ascendo
E trago!

Cassia da Rovare



Dança Comigo?

Toma-Me Pela Mão
Encosta Teu Corpo No Meu
Beija-Me Apaixonadamente
Sente Meu Coração Disparado
Pulsando Bem Junto Ao Teu.
Laça-Me Com Teus Braços
Segura-Me Pela Cintura
De Rostos Colados
Dança Comigo Amor Meu.
Conduz-Me Ao Paraíso
No Embalo De Nossos Corpos
Sons, Musicas E Gemidos
Diga-Me No Ouvido
Que Eu Sou O Amor Teu.
Vem, Ao Som Da Melodia
Que Só Os Que Amam Apreciam
Esqueça Do Mundo Lá Fora
Rodopiando Em Alegria
Sente Toda Magia
Deste Momento em Que Eu
Te Convido
Vem, E Dança Comigo?

Cassia Da Rovare



DENTRO DE MIM

FAÇO-ME NUM LAÇO
NESTE ABRAÇO SEU BRAÇO,
EM SUA BOCA, MEU SORRISO
DESCUBRO-ME,CORPO E ALMA
DESNUDO-ME CORPO SEU
E FAÇO-TE AMOR
COM LOUCURA E DOÇURA
ENTREGO-ME DENTRO DE TI
ENCONTRO-TE DENTRO DE MIM....

CASSIA DA ROVARE



Dês Desejo

Hoje não desejo ontem
Dês desejo outrora
Perdeu-se triste flora.
Hoje aflora anseio
Do peito ontem ao meio
Divisão de múltiplos comuns.
Hoje quero absurdos
Dos ouvidos cegos
Das bocas surdas.
Cabeças pensantes
Antídoto contra
Mentes letárgicas
Hoje quero viço na alma
E loucura na língua
Ontem fel de O dores
Hoje gosto de A mores.

Cassia Da Rovare



Desencontro.

Solta corro
De mim de ti de todos
Envolta em desejos
Que já não compreendo.
Saio escondo-me
Das sombras no espelho
Do erro do desatino
Vendo você indo.
Procuro e perco
Meu encontro dentro de ti
Lugar sem acesso
Sou agora
O avesso de mim.

Cassia Da Rovare



Desprendimento

Largo-me em teus braços
E sinto a paz, abraço meu.
Não, não qualquer lugar,
Teu colo de paraíso
Teus olhos de sonhar.
Desfruta-me enlaçados
Pernas entremeios
Bocas e seios
Pele e pelos beija-me.
Deseja-me em teu corpo
Prova-me em teus dedos
E suspira de paixão
Sente no ar a vibração.
Incendeia este lugar
Dos meus braços a te abraçar
Enreda-me nessas ondas
Dos nossos corpos
Indo e vindo.
Gira-me em teu desejo
Explora-me sem contida vergonha
Ama-me, amo-te.

Cassia Da Rovare



Distancia de um Mar.

Sem nada esperar
Magico ouço, alem mar
Uma voz a me chamar.
Nao sei como, nem porque
mas a quem interessa saber!
Empatia, magia dos deuses?
Nao sei, só sei que escutei
Alma e coraçao, imensa alegria
Distancia que aproxima
E as palavras vindas ternamente
Jamais neste mar se afogarão.

Cassia Da Rovare



Dor

Dor visceral, largueza e vácuo,
Buraco negro, poço sem fundo.
Dor insuportável, fere corrói,
Vazio escuro, dor e dor.
Dor versátil, volátil,
Desconstruida e reconstruida,
E dói, e dói.

Cassia Da Rovare



Dualidade

Travo batalhas
Sempre no fio da navalha
Vivendo instantes, e me deixo.
Vezes, fraqueza e desânimo
Cansaço e tristeza
Vezes, coragem e destreza
Lúcida e santa.
Desnudo a alma e luto
Corpo invadido pela paixão
Vestindo a solidão
E venço, e recomeço
Cicatrizes a mostra
Dualidade e verdade
Planícies e montes
Sem mortos, sem fontes.
E venço, e luto, e recomeço
Do nada.

Cassia Da Rovare



Encontro Noturno.


Estas tuas mãos de carícias
Estendidas nas noites
Esperando por mim.
Em versos e poesias
Sua boca sedenta beijando-me
Silêncio de amor.
Sinto sua proximidade
No meu corpo quente
Que clama pelo teu.
Pétalas de rosas
Espalhadas em nossa cama.
O vinho, duas taças que amam
Sensaçãos táteis, alegria e desejo.
Meu olhar perdido, encontra o teu
E nada mais, pode ser melhor
Que tudo isso.

Cassia Da Rovare



Entre as Velas.

Hoje é Sexta-Feira
Recosto-me entre as velas
Que se apagaram
Na garagem dos meus pensamentos.
Abrigo no dia
A noite que dentro de mim
Impera sofrega e desconexa.
Brilhos enfim apagados
Das antigas estrelas
Que compunham meu céu.
E porque hoje é Sexta-Feira
Vou vestir-me de mar
Talvez com sombras de luar.

Cassia Da Rovare.



Errei

Qual busca que nunca finda
Procurei nos teus braços
Os abraços que doei.
QuiS ver em teus olhos
A reciprocidade que desejei
Em teus lábios o sorriso
Dos apaixonados.
Idealizei-te perfeito
Foi ai
Que errei.

Cassia Da Rovare



Há Fins.

Dias e dias e afins
Nada a comemorar.
Deixei enfim acontecer
Noite sem sonhar.
Mais um sonífero
Para acumular acúmulos.
Mais um amor sem fim
Que se acabou em mim.
Gota a gota cicuta na veia,
De saia curta e sem espuma.
Descalça no asfalto
Falta água no jardim.
Nada pra comer/morar
Numa taça de vinho.
Dias e dias e afins
Vou me embriagar de mim.

Cassia da Rovare



Hoje sim não

Sabe aqueles dias em que você acorda achando-se linda, com olhos mansos e doces? Coração feliz, em paz, brilhando como o próprio sol e querendo que tudo aconteça só por hoje ser hoje? Assim acordei eu.
Mas existem dias, que nem baton ou perfume fazem a gente sentir-se melhor, assim como aquelas pessoas que adoram o amarelo, não aquele das flores mas o sorriso amarelo, olhos amarelos e dariam tudo pra contrair hepatite só para ficarem literalmente amarelas...rsrsrs...esses dias existem sim!
Mas hoje não, porque hoje acordei azul como o céu, como uma preciosa pedra.
Hoje, se encontrasse na rua aquela pessoa que quando tu perguntas : "Olá, tudo bem?" E já sabe que ela vai ficar duas horas falando dos problemas de saúde, problemas com o marido com os filhos etc e tal...eu nem perguntaria nada!
Ofereceria-lhe meu sorriso, um abraço e tchau. Não por egoísmo mas por instinto de preservação.
Dias assim devem ser saboreados, degustados ,enriquecidos, valorizados, já que nem sempre hoje é assim.
Hoje bailaria com o vento e rodopiaria feito pião, somente pela alegria de estar bem, chuparia sorvete fazendo aquela meleca própria das crianças (hoje estou criança) e limparia na blusa minhas mãos e boca. Que delicia dias assim!
Hoje não haverá quem me faça crescer, já cresci demais em dias ruins.
Hoje quero sair por aí beijando gente, cheirando os ares da cidade, voando entre beija-flores, amando todas as cores, mesmo o amarelo do girassol sem amarelar meu sorriso azul.
Se alguma lágrima quiser verter dos meus verdes olhos, serão de alegria e prazer porque, hoje, ahhhh... hoje só quero amanhecer.

Cássia Da Rovare



Indagações!

Quem sou eu
Que não me encontro
Que busco, busco
Percorrendo nesta viagem
Para Dentro de mim?
Quem sou eu
Que perdi-me pelos caminhos
Deixei-me, desiludi-me
Barco a vela, a deriva
Dentro de mim?
Quem sou eu
Lua nua, sol refulgente
Tristeza e alegria
Plena, vazia
Dentro de mim?
Quem sou eu
Menina, velha
Canção, lágrimas
Pressa, calmaria
Dentro de mim?
Quem sou eu
Lucidez, loucura
Gata borralheira, rainha
Solidão em meio a multidão
Quem sou eu?
Sinfonia inacabada
Poesia não escrita
Mulher não revelada
Mistério e transparência?
Quem sou eu
Dentro de mim?

Cassia Da Rovare



Íntima

Suspiro profundo
ilumino meu mundo
entre letras e melodias.
Derramo íntima
profunda, intensa
onde lanço-me, bálsamo.
Refaço, construo
luz, tons, poesia.
Unhas vermelhas
nas costas,o rasgo
ternura e paixão.
Nos lábios, vida
no peito, porto
meu ventre, dança
minha pele, arrepios
do corpo ávido.
A tela que pinto
é verso, descanso
meu corpo, lago suado
no teu corpo, molhado.

Cassia Da Rovare



Letras Negras

Branco poema
Sai gemendo de dor
Um parto um corte
De mulher incompleta.
Branco poema
Sem cor sem utopía
Fonte represada
De mulher animal.
Branco poema
Com letras negras
Afluentes de paixão
De mulher sedução.
Branco poema
Sem composição
Da posição que deita
De mulher na cama.
Branco poema
Nas mãos ciganas
Adivinha e mente
De mulher que ama
Literalmente.

Cassia Da Rovare-



Linguagem.

Eu já não entendo
A linguagem do meu corpo
Diante da fragilidade
Da minha alma.
Não, eu não posso decifrar,
Os códigos sutis
Das tuas mãos febris
Quando sonho, serem minhas.
Talvez a mais sábia
Das inteligências soubesse
Ou pudesse, quase mística,
Quase espiritual, explicar.
Não, eu não quero entender,
Porque a linguagem do meu corpo
Quase débil,
Em uníssono com minha alma
Só entende de amar.

Cassia Da Rovare



LUZ DAS LUZES

LUZ QUE BUSCO
NO MAGICO ENCONTRO
COMO IMÃS QUE SE ATRAEM
PARA UM UNICO PONTO.
LUZ DAS LUZES, ERA TUDO
O ESPAÇO NEGRO
VIAJANDO MIL ANOS
EM UM SEGUNDO
DESCORTINA-SE O MUNDO.
DELICADEZA DE EXISTIR
LUZ A EMERGIR
NESTE TEMPO, CANTO
FEZ-SE ENCANTO,
OLHOS DE PRANTO
POESIA E MUSICA
DELICIA E PRAZER.
LUZ E CLARIDADE
OFUSCANDO O PRÓPRIO BRILHO
ENVERGONHADA PELO DESEJO
DESTE NOSSO QUERER.
LUZ! PODE ACONTECER.

CASSIA DA ROVARE



Mar

Mar
surdos
ouvidos
nem sons
nem gemidos.

Cassia Da Rovare



Me.

Não trata-me assim!
Fica-me ou abandona-me.
Seja-me ou suma-me
Só não trata-me assim!
Consuma-me ou guspa-me
Alegra-me ou sofra-me
Vive-me ou morra-me.
Só não trata-me assim!

Cassia Da Rovare



Mesa e Cama.

Invade-me a gula
Do que mais tenho medo
Aquilo que queremos
Ao mesmo tempo
Nos é impedido ter.
Desornizo-me e fujo
Largo as malas
As falas e o beijo.
Largo o impossivel
Do impreciso ser
Osmose e catarse
Amalgamado querer.
Há mal em estar amando?
Finjo respostas com frases feitas
Imperfeitas nesta hora.
Largo a roupa o café e o cigarro
Nua em pelo, gula querer você.
Leio a bula sem contra indicação
Rio de mim e largo
Largo o prato o copo
O garfo e a faca
E deito-me comendo você.

Cassia Da Rovare



Meus Sonhos tem Asas.


Dando asas aos meus sonhos
Não admito ser invadida
Nem que destruam,
A esperança que trago no olhar.
Sou feita de imaginar
E neste lugar
Não deixo ninguèm entrar.
Sou andorinha
Buscando no denso inverno
Encontrar meu verão
Quem sabe pousar
Dentro de algum coração.
Ninho que abriga o amor,
mansidão.
Dou asas aos meus sonhos
Vou voando,
imaginando
Aqui neste lugar
Jamais me canso de tentar.

Cassia Da Rovare



Muitas vezes, amor.

Quero embarcar neste barco
Fazer da tua vida um marco
Onde bússolas, pra que?
Se meu destino é você.
Quero neste barco
O embalo de um tango,
Do nosso balanço
Corpo no teu corpo
Intimo no intimo.
A lua testemunhando
Nossos gemidos e gritos
Liberdade e céu
A nos cobrir
Com inveja, desta loucura,
Que nos toma, quando explode o amor.
Lágrimas de prazer
Molhando nosso rosto
Tanto quanto molhados, nosso lençol.
O mar, calmaria,
Recebendo num abraço
As ondas do nosso desejo
E os ventos, calados,
Ouvindo o som
Dos nossos beijos
Alucinantes e quentes
Completando nosso ato
Num respirar profundo
Onde o amor se fez
E quereremos mais uma vez
Mais uma vez, outra vez.

Cassia Da Rovare



Norteando

Queria um amor forte
Preciso, incisivo.
Um amor conciso
Coeso, corpos em colisão.
Queria momentos
De arrebatamento
Sem as torturas
Da insegurança.
Nada que fosse fragmentado
Sem cacos a recolher
Pra depois tentar colar
Os vasos quebrados.
Queria um norte pra descansar
Um forte no meio do mar
Sem as pisaduras
Que o vento vem apagar.

Cassia Da Rovare



Nua Lua

Traz-me oh lua
Clara noite de estrelas
O sossego das horas.
Traz-me o elo
Da claridade e loucura
Do sonho, a ternura.
Traz-me o beijo
O sê-lo, nua em pelo
Oh lua!
Traz-me bem querer
Distância noturna
Cometas de amor
Cheiro de flor
Terra e suor.
Oh lua, deixa-me
O amor, cometer...

Cassia Da Rovare



O Poeta e a Poesia


Poesia vaza da alma
Transpira na pele
Ecoa como os clamores
No coração do poeta.
Segue ele sua meta
Levando belezas, emoções,
Aquilo tudo que flui em paixão
Retratando enigmas, sofismas,
Códigos indecifráveis
Que só ele conhece o significado.
Poeta, não tem professor,
Escreve por amor
Não faz da poesia, profissão!
Nem leva para a escrita
Regras nem normas
Ele mesmo dá sua forma.
Cala a voz, mas grita a alma.
Narra aquilo, que a hora dita
Poeta é gente que acredita
Ainda que não seja,
Faz a vida parecer mais bonita.
O poeta está para a poesia
Como o maestro para a sinfonia
Como o ator para a platéia
Onde o único aplauso que se ouve
É o som, do virar a página,
Para nascer mais uma
Poesia!

Cassia Da Rovare



O verso

O reverso de mim
Clama que eu aceite
O inverso do que sou.
Diz-me que te amo
Só para provar
Que o verso que componho
Ainda que inverso
Só saiba falar deste amor
Intenso, imenso,
Imerso dentro de mim.

Cassia Da Rovare



Palavras Lúdicas.

Tantos são
Os sonhos de uma mulher
Tantos são
seus desejos, anseios
Suas vontades e renúncias.
Tantos são
Seus pensamentos
Seu olhar mágico
Seu sorrir manso.
Tantos são
Seus medos, seus segredos,
Envolta em mistérios
secretos delirios.
Um andar sensual
Trejeitos líricos
Palavras lúdicas
Um tanto demência
Um tanto lucidez.
Tantas são
Suas angústias
Suas lágrimas, engolidas
Gotas descendo dos olhos
Escorregando em sua tez
Morrendo em seus lãbios.
Tanto sabe
ser amante, mãe
Companheira, confidente
Que só pelo fato
de ser ela, mulher
Torna-se dona
paraíso dos românticos
Roubando-lhes o juizo
E a razão.
Tantos são
seus enlevos
Seios em alto relevo
Corpo e coração
Alma em ascenção
tantas vezes
São apenas, desilusão.

Cassia Da Rovare



PALAVRAS VÃS.

QUERIA UM POEMA DOCE
QUE ENTRASSE EM TEU CORAÇÃO
COMO O SOPRAR DE PLUMAS, ALGODÃO
QUERIA ACHAR PALAVRAS
QUE TE TIRASSEM AS DORES
E A CRUDEZA DA VIDA
QUERIA TOCAR-TE AO LER-ME
SEM DEIXAR-TE COISAS
QUE NÃO FOSSE EMOÇÃO
NÃO AS ENCONTRO
NO MEU VERNÁCULO PRECÁRIO
PALAVRAS VÃS
NO AFÃ DE AMAR-TE
COMO ANTES COMO HOJE

CASSIA DA ROVARE



Paralelamente...

Linhas paralelas, antagônicas.
Agonizam sem trechos, obtusas,
Trilham estradas juntas, separadas.
Voa o raciocínio, confuso,
Paralela a mente retrocede.
Quintais e pomares, cimento e asfalto,
O gelo quente, queimando a língua,
Doendo os dentes.
Paradoxal unanimidade, linhas e retas,
Cruzando as curvas do meu pensar.
Paralelo transitório, pensamentos,
Indicam as placas, para a direita,
No lado esquerdo do meu peito.
Teimosia obedecida, sem discernimento,
Paralelamente, amor e ódio,
O ópio, o licor e a dor.

Cassia Da Rovare



PEITO MULHER

PAREDES TANTAS,
QUE ACUMULAM DESEJOS
ENTRE ESTAR DO LADO DE DENTRO
E O DE FORA.
AINDA PREFIRO A POESIA
QUE AFLORA DO PEITO MULHER,
QUE INSISTE EM SER RÔMATICA
E AGRADECE PELO QUE É.

CASSIA DA ROVARE



PENSAR NINGUEM.

E PENSAR
QUE EU ACHARIA
NINGUEM.
E PENSAR
QUE EU ERA TUDO
PRA ALGUEM
ALGUM DIA.
E PENSAR
QUE ALGUEM
MERECEU
MEU SER TOTAL.
E PENSAR
QUE NÃO QUERO
NINGUEM.
E PENSAR
QUE PENSAR
AMAR
FAZ-ME BEM.
E PENSAR
QUE PENSAR
ERA NADA.
E PENSAR
QUE CADA GESTO
ERA GESTUAL.
E PENSAR
QUE SOU ATUAL
PENSAR ATUANDO.
E PENSAR
EM MAIS NADA
PENSAR.
CONTINUO PENSANDO!

CASSIA DA ROVARE



Planeta Mulher


Sou de um planeta
Mágico, encantado,
Hemisférios esféricos
Anti Matéria.
Constelações, Astros,
Estrelas, explosões, física.
Sou a síntese de tudo
Antítese de mim
Quem sabe, ser?
Ser deste planeta
Que inspira a lua
Agita o mar
Sublime, repousa no ar.
Faz amor com o sol
Deita-se nas nuvens, cama.
Dádiva da criação
Gravidade e grávida vez.
Sensitiva, bruxa, fada e anjo.
Demônios em hormônios
Transcendental.
Espirais de luz, cruz.
Deslizante em passos
Desconcertantes.
Verte águas, sangue
E sangra, deságua, lava,
Flutuando sobre uma enseada
Cheia de cores astrais.
Sou deste planeta gameta
Vertentes de amor
Pensado dentro de mim
Um lugar qualquer
Planeta MULHER.

Cassia Da Rovare



POR TÃO.

A SAUDADE BAILA
EM MINHA FRENTE.
DOU AS COSTAS PRA ELA
OLHOS FIXOS NO RELOGIO
NA TELA, NO PORTÃO
POR TÃO GRANDE AMAR.
TEU SORRISO ME ACALMA
SINTO TUA VOZ
OUÇO TEU OLHAR.
VAZIO DE CÉU E MAR
RESTA-ME APENAS
ESPERAR
A MANHÃ CHEGAR.
ANOITECE AQUI
E VOCÊ AI, ALI
EM QUALQUER LUGAR.
EU ALI, AQUI
ANDANDO SEM PARAR
SÓ PRA VER
VOCÊ ENTRAR.

CASSIA DA ROVARE



Poesia, Vendedora de Sonhos


Essa mania que tenho
de fazer poesia
em tudo que vejo
em tudo que sinto
é poema fluindo.
Essa mania que tenho
de vender em palavras
amor e paixão
dor, desilusão
fé e nostalgia
é poema fluindo.
Essa mania que tenho
de poeta me expor
sem medo sem pensar
coisas brotando a borbulhar
magias e fantasias
sorrisos fingidos
lágrimas e bálsamo
é poesia fluindo.
Essa mania que tenho
de amar sem preconceitos
até meio sem jeito
falando oque sai do peito
vendendo sonhos e ventos
é poesia fluindo
na mulher que é feita
de palavras e voos
beijos e vontades
declarando em versos
toda sua verdade.
Ah! essa mania, essa poesia...

Cassia Da Rovare



QUIMÉRA

BÁLSAMO EM MEU CORAÇÃO
DERRAMADO DA PAIXÃO
DEIXANDO SOBRE MIM
UM RASTRO DE SOLIDÃO.

INTENSO E SÚTIL
DEIXA-ME DAS LEMBRANÇAS
RESQUÍCIOS DE ESPERANÇA
DESTA SUAVE BRISA MANSA

BÁLSAMO EM MEU CORAÇÃO
DERRAMADO DA PAIXÃO
DEIXANDO SOBRE MIM
ESTA VAGA EMOÇÃO

PUREZA E VERDADE
SOLICITUDE E CUMPLICIDADE
DELIROS DE UM CORAÇÃO
ANTES,LEVEZA E SUAVIDADE

HOJE, QUIMÉRA E SAUDADE.

CASSIA DA ROVARE



Rapte-me

Rapte-me daqui
Prometo não resistir
Coloca-me no cativeiro
Onde me esconderei
Inteira, intensa, doce
Sei que ocuparei
Nesta prisão de amor
Teu coração.
Rapte-me da indiferença
Da solidão imensa
Tira-me do abandono
Em que me encontro
Feito cão sem dono.
Prometo inundar teus dias
Com minha alegria
E tuas noites
Com torrentes
De águas quentes
E o único resgate
Que te pagarei
Será da liberdade
Deste incalculável, insondável
Infinito, e eterno amor.
Rapte-me e leva-me
Pra onde você for.

Cassia Da Rovare



Rituais

Quem era o amor?
Que de tal pensar
Trouxe a dor
Não, não ha mais rituais.
As coisas são tão banais
Que o querer
É mais fugaz
Do que a busca.
Essa sim
Faz-me incapaz!

Cassia Da Rovare



Sem pretensão.

Poetas
loucos
como eu
sem
pretensão
de lucidez
em momento
algum nenhum.
Uma
metamorfose
ambulante
que fala
de dor e amor
com a mesma
intensidade
vaga sem nexo
de séxo translúcido.
Alguma e nenhuma
sem placa
de igreja no peito
esquerda por opção
convicção!
calmaria dos
ventos
alucinação dos
temporais.
Sempre
um gole a mais.
Imenso no se dar
Palavras
sem clarezas
Rimas de versar
Doces poetas loucos
Nosso hospício
Mora dentro
Num espaço
Chamado Etéreo.

Cassia Da Rovare



Rompantes

Meus rompantes te intrigam
São como eu brasa viva.
Tiram-me os ares o controle a paz
Faz-me voraz de tudo capaz.
Rasgo as fotos queimo as cartas
Rompo a fala o contato, é fato!
Bato a porta grito fora!
Vá embora!
Nunca mais nada mais chega
Acabou.
Assim são meus rompantes gritantes
Energia que me faz dura rocha.
Que se desmancha e desabrocha
Ao menor sinal teu a um simples olá.
Meu Deus nem pareço eu fico perdida
Ferida magoada me sentindo abandonada.
Carente!
Quentes instantes de dor.
Quero somente e simplesmente seu amor
Sua atenção seu cuidado sua presença,
Seu gosto seu rosto suas mãos.
Você, você, você!
Acho que vou me perder
Para achar mais você!

Cassia da Rovare



Sempre bem!

Hoje passeio pela noite
Sentindo um alivio
Que não sentia a tempos.
Meu estado liberta-me
Dos meus fantasmas
Que feriam-me o sorriso.
Hoje a noite vai ser boa
E a / manhã também.
Ficar a toa abrindo portas
Sem pedir licença
Nem pra mim
Nem pra ninguém!
Hoje a noite é minha
Na minha noite só
Entra só quem eu quero.
Daqui pra frente sempre
Bem.

Cassia Da Rovare.



Senão

Não há métrica,
Nem era cibernética
Que profane o improfanável.
Não há luta em vão.
Só a cortina fechada
De um teatro sem platéia.
Quem ousará dizer que não
Se o não, não é senão
A vontade oculta do sim.

Cassia Da Rovare



Sobre olhares.

De tantas maneiras
Denunciava a noite
Aquilo que a espera
Não se cansava de esperar.
Talvez inusitado e surpreso!
Via-se areia molhada
Por vezes, areia ressequida,
Pelo sol do meio dia.
Viu-se oca depois do porre,
Tentando-se recompor
Ressaca de mar
Ondas indo e vindo
Cabeça ao contrário
Sem fuso horário.
Flutuava poema nas mãos trêmulas
Palavras efêmeras na primeira pessoa,
Plural, singular, sobre olhares.
Olhares de amares há marés!
Chuva nos olhos, tardes grises,
Sem temas clichês
Nas mãos erguia o próximo gole
A ver, haveria outra poesia.

Cassia Da Rovare



Solidão na noite.

Cai a tarde tardia
Noite alcançando fria
Ele não vem.

Talvez não volte mais
Aquecer de amor meu vazio
É cedo ainda pra terminar.

Se bem vejo
Nem começamos a caminhar
Mãos que não se deram.

Não se deram os beijos
O sonhar de amor
De amor se dar.

Ele não veio
Sentir meu coração
Cheio de entrega e paixão.

A noite escura
Deixou o medo e a procura
Busca de ternura, finda em solidão.

Cassia Da Rovare



Teu Peito, Meu Pouso.

Chegastes num sonho
Surpresa e encanto
Malas postas no chão
O mais doce olhar a me fitar.
Nada foi preciso falar
Nosso silêncio
Era de amor a transbordar
Segurou-me em tuas mãos
Beijando-me com loucura
Encostou-me na parede
Ergueu meus braços entre abraços
O nosso sabor e cheiro
Misturaram-se como quem jamais
Estivesse tão longe
Tomou-me pela cintura
Beijou-me os olhos, a boca
Como quem conhecesse
Todos os meus pensamentos
E ali, fomos dois loucos,
A nos amarmos, insanos.
Impossível segurar
As lágrimas que teimavam em jorrar
Eu te amo, eram as únicas palavras,
Que conseguíamos balbuciar.
Tuas mãos, percorriam meus desejos,
As minhas, buscavam os teus.
Voamos juntos, grudados, enlaçados,
O amor fez-se, envolto em ternura,
Silenciosa prece, onde o céu,
Desceu até nós
Onde tempo e lugar, nada significavam.
Éramos, areia e mar,
Homem e mulher
Tu, meu porto seguro,
Eu, tua borboleta liberta
Pousada em teu peito
Nunca mais querendo voar.

Cassia Da Rovare



Todos e Nenhum.

Quantas vezes eu errei
Na tentativa de acertar
Olhando o amanha
De tanto no passado
Me perder e tropeçar?
Quantas vezes
Busquei a lucidez
Como um bêbado, embriagada
Tropeçando para não
O asfalto beijar?
Quantos dias terei eu,
Para beijar flores no jardim
Retirando de mim
O cheiro de enxofre e acido?
Todos e nenhum.

Cássia Da Rovare



Traga-me.

Traça-me
nas linhas de teus dedos
no contorno dos teus braços.
Traça-me
na carne da tua boca
entre minhas pernas as tuas.
Traça-me
na maciez da tua lingua
lambendo minha pele.
Traça-me
nos meus joelhos dobrados
de costas pros teus.
Traça-me
sobre a mesa num copo
corpo a corpo e desejo.
Traça-me
na linha efêmera
de macho e de femea.
Traça-me
em linhas de poema
sobre lençois de linho.
Traga-me
num gole de vinho.

Cassia Da Rovare



Travo e Morro.

Travo o som
A cor o tom.
Travo a lingua
A fala o riso.
Travo a porta
O medo o sim.
Travo a prosa
O verso a poesia.
Travo a luta
A noite o dia.
Travo o choro
O grito o coro.
Travo a boca
A saliva o beijo.
Travo o peito
O ar e deito.
Travo a vida
Os olhos e morro.

Cassia Da Rovare



Tua.

Deleite sublime em meu peito,
Peito de plumas soltas ao vento
Sinto e lamento, tua ausência.
Espero, corpo morno,
Coração quente, boca ardente.
Desenho-te em minha íris
Cores de amor profundo
Músicas envolventes, queimo!
Plenitude de evento ter-te
Invento o inimaginável.
Sinta-me agora
Deixa-me sentir-te também,
Sopro de paixão
Toca-me com tuas mãos
Beija-me, suspira em meu rosto.
Bebe meu suor, sacio-me do teu,
Sublimo o verso, do teu peito no meu,
Toma-me louco, nem que seja pouco,
Apenas saiba-me tua.

Cassia Da Rovare



Um lapso de amor.

Pousa em minhas mãos
Amor sem limites
Traga-me o sonho
A liberdade
Deixa-me a serenidade
Aquele gosto de felicidade.
Não te prenderei
Nem atarei seus vôos
Quero-te sem culpas
Sem falsas vergonhas
Entre beijos e fronhas
Paixão sem despedidas
Sem mentiras
Ou segredos, ilusões.
Pousa em meu coração
Com febre e loucura
Não me abandone logo agora
Que por um lapso de tempo
Pude sentir-te, sonhar-te
Pousa e fica
Arranca-me desta solidão
Noite escura, sem luar
Preciso pelo amor
Me apaixonar.

Cassia Da Rovare



Um píer no sertão.

Uma cadeira vazia
Meio a miragem
De um sonho
Não vivido,
Porem desejado.
Uma peça de cristal
Na prateleira
Empoeirada
Pelo tempo agreste.
No coração
Vestígios de flores
Pelas estradas
Visão campestre
Uma cadeira solitária
No píer do sertão
Ouvindo ao longe
A sabiá chorando um canto
Do amado que se foi
Sinto a catarse no peito
Do meu chorar a seco.

Cassia Da Rovare



Universo Amor.

Abrirei mil janelas
Esperando ver teu sorriso
Montarei num cavalo branco
E asas eu terei.
Voarei espaços vagos
Buscando este olhar
Que o meu faz queimar
Luz e lua namorar.
Contigo sonharei de sonhar
Encontrarei mil maneiras
Mentirei aos céus
Pois que já não trago véus.
Deixarei tragar-me
Lúdica, experimentarei
Abraços de lírios
Minha rosa a ti, ofertarei.
Visão em verso e prosa
Deste universo amor.

Cassia Da Rovare



Vem Comigo!

Vem abrigo do meu peito
Tomar-me pelas mãos
Romper o silêncio
Vazio e solidão.
Vem abrigo e ninho
Retirar-me deste frio
Gelo por dentro e por fora
Já não espero a hora.
Vem abrigo e sossego
Escuta meus desejos
Ouve a voz da paixão
Não me negue este pedido.
Vem para que eu possa
Fazer-te feliz, ser-te abrigo
Na alma, corpo e coração.

Cassia Da Rovare



Viagem Imaginária.


Permeio meu interior
Numa busca profunda
Quase insana
Do meu eu partido,
Tantos desencontros
Onde apagou-se o sorriso.
Aprofundo-me e nada encontro
Casa solitária
Viagem imaginária
Agarro-me a um sonho
Descomposta, alma sôfrega
Fragmentada, sou nada.
Cacos espalhados
Mil pedaços de mim
Brilhando pelo chão
Espaço recôndito
Segredos sufocados
Jamais revelados
Deste coração
Tão desventurado.
Postergo este encontro
Esperando entre os cacos
Me achar.

Cassia Da Rovare



Viagem!

Viajo agora dentro de mim
Pra descobrir-te inteiro
Pois desde sempre
Fez-se hospedeiro
do meu coração.
Universo desse amor
Tão verdadeiro.
Aportei-me em desespero
Querendo simplesmente
Vivê-lo MESMO SEM TÊ-LO.

Cássia Da Rovare



Virtual do lado esquerdo da gente.


Num dia nem sei se era tarde importa pouco agora um virtual momento passou a ser real como o espelho que me vejo. Senti luzes acendendo no meu quarto breu total e a primeira lata depois da quinta (a memória anda fraca) como cheia a do meu computador, acordei. Brincadeiras e sorrisos que deixavam ver até o ciso inciso dos meus dentes e ouvia meu estômago num afã de frios e pernas bambas ele era bamba mesmo. Meu disco rígido amoleceu e os megabytes eram poucos para suportar o que se deu. Atrapalhei meus neurônios e hormônios embaralhando o baralho jogaram-se os dados no dado instante frente ao meu rack, rock na veia sons de meias roçando a pele. Virtualidade ou vulnerabilidade não sei? Só sei que sei. Na verdade nada é virtual quando alguém existe do outro lado do lado esquerdo da gente opção sem a menor noção do bem e mal que isso pode fazer. Esta frágil tela de gigantes seres emaranhou meus fios de cabelo até os joelhos anunciando desejos obstantes óbvios trancados no baú dos meus sentires como emaranhados os fios do meu pc antigo. Dizer que nada valeu, valho-me dizer que sim valeu sim e antes que eu desse um enter num erro tolo apertei o esc. Desligou-se tudo e perdi o rock que ouvia atentamente. Fica guardado no world o amor que foi bom, enquanto ainda dura. Recordarei abrindo o bloco de notas das conversas que salvei como poeta escrevendo uma prosa sem começo nem fim.

Cassia Da Rovare



Virginal Papel

Minhas mãos
Que fere a escrita
Num virginal papel
Em tintas
Que hoje escrevo
Com meu sangue
Em alto relevo
Revela-te
O grande desejo que tenho
De ser tua
Homem meu.

Cassia Da Rovare